Luíza Sonza: Acusação de Racismo Que Quase Devastou Sua Imagem
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| Cantora Luíza Sonza / Divulgação - Assessoria |
Luíza Sonza, uma das artistas mais populares e influentes da música pop brasileira contemporânea, acumula sucessos, milhões de fãs e uma carreira ascendente. No entanto, nem sempre sua trajetória foi apaziguada pelas luzes dos palcos. Em um dos momentos mais delicados de sua imagem pública, a cantora enfrentou uma polêmica profunda relacionada a uma acusação de racismo, que teve repercussão intensa na mídia, nas redes sociais e impactou sua agenda artística e contratos.
O caso, ocorrido em 2018, veio à tona anos depois e se espalhou rapidamente entre veículos de imprensa e debates públicos, fazendo com que a artista passasse por um período de forte escrutínio e é exatamente isso que vamos trazer no Super Fã, da Rádio NDM.
O Início da Polêmica: O Caso de Fernando de Noronha
O episódio que desencadeou a polêmica aconteceu em setembro de 2018, em Fernando de Noronha, durante um evento gastronômico no restaurante da Pousada Zé Maria. A advogada Isabel Macedo de Jesus, que estava no local comemorando seu aniversário, relatou que Luíza Sonza teria a confundido com uma funcionária do estabelecimento e ordenado que ela trouxesse um copo d’água. Segundo a denúncia apresentada pela advogada, Sonza teria agido com um tom grosseiro, o que foi interpretado como uma manifestação de discriminação racial.
A advogada, que é negra, afirmou que Sonza lhe “bateu no braço” e fez a exigência em um tom que, na alegação, evidenciaria tratamento discriminatório por causa da cor da pele. Isabel procurou a Justiça em 2019, ajuizando uma ação de indenização por danos morais com base em discriminação racial. Entre as medidas solicitadas estava, além da indenização, uma retratação pública e até mecanismos educativos no local do ocorrido, apontando a gravidade atribuída ao episódio.
Inicialmente, o caso tramitou em segredo de Justiça e permaneceu relativamente desconhecido do grande público até ser revelado pela imprensa em 2020. Quando a notícia começou a circular, a cantora utilizou suas redes sociais para negar veementemente que tivesse cometido o ato racista, classificando a acusação como “absurda” e afirmando que jamais ofenderia alguém por conta da cor da pele.
Negação, Retratação e Repercussão Pública
Quando a acusação veio à tona em 2020, Luíza Sonza inicialmente se posicionou de forma defensiva no Twitter, pedindo aos seguidores que não acreditassem nas informações que circulavam sobre o processo. Ela afirmou que se tratava de uma acusação injusta e falsa, negando a intenção discriminatória e reforçando sua integridade pessoal.
Apesar da negação pública na época, o caso não desapareceu e continuou a repercutir nos meios de comunicação e nas redes sociais. Em setembro de 2022, Sonza decidiu se manifestar novamente sobre o episódio, desta vez com uma postura diferente. Em um comunicado à imprensa e às redes sociais, ela apresentou uma retratação pública, reconhecendo que sua atitude poderia ter sido interpretada como reprodução de racismo estrutural — um conceito mais amplo que descreve comportamentos raciais que decorrem de desigualdades históricas e culturais e não necessariamente de intenções explícitas de discriminar.
No texto, ela escreveu que reconhecia que a forma como se dirigiu à advogada “traduzia um ato de reprodução do racismo estrutural, o que de maneira nenhuma foi sua intenção”. Sonza também esclareceu que sua equipe não quis, em publicações anteriores, difamar a denunciante, mas sim reagir às informações divulgadas de forma distorcida na mídia.
Esse reconhecimento representou um momento crítico na trajetória da artista, porque passou de uma negação frontal para um reconhecimento do erro e de sua responsabilidade pública. A forma como uma figura pública se posiciona em episódios desse tipo pode ter amplo impacto sobre a percepção coletiva de sua imagem, especialmente em um contexto social cada vez mais sensível às questões de desigualdade e justiça racial.
Impactos na Carreira e Repercussão da Imprensa
A acusação de racismo acompanhou Luíza Sonza por vários anos, influenciando não apenas a percepção do público em geral, mas também decisões no meio artístico. Um caso emblemático foi a sua remoção da escalação do REP Festival, que aconteceria no Rio de Janeiro em 2023. A participação da cantora no line-up ao lado de artistas de música negra e hip-hop, como o rapper Xamã, gerou críticas nas redes sociais por parte de públicos que consideraram incongruente a presença de Sonza diante da acusação de racismo. Em resposta às críticas, a organização do evento optou por substituí-la na programação.
Relatos da imprensa indicam que a polêmica também afetou outros aspectos de sua carreira. Há informações de que Sonza perdeu contratos publicitários importantes e shows em função do desgaste de imagem decorrente da polêmica, incluindo marcas que avaliavam associar sua imagem a produtos voltados para diversidade e consumo consciente. Em alguns casos, anunciantes teriam reconsiderado parcerias devido à sensibilidade do tema entre seus públicos-alvo.
Além disso, em 2023 a Justiça aceitou o pedido de acordo entre Sonza e a advogada Isabel Macedo de Jesus, encerrando oficialmente o processo. De acordo com a advogada, o acordo contemplou todos os pedidos do processo e reconheceu o valor de tornar o caso um exemplo de como inclinações pessoais podem afetar julgamentos e relações sociais.
Reflexão, Estudos e Posicionamento Atual de Luíza Sonza
Nos anos após a polêmica, Sonza passou por um período de reflexão pública. Em entrevistas recentes, como a concedida ao canal da influenciadora Bianca DellaFancy, a cantora admitiu pela primeira vez de forma mais aberta que realmente cometeu um ato racista e que passou por um processo de aprendizado para compreender melhor as implicações de sua conduta, inclusive buscando referências em trabalhos de autores como a filósofa Djamila Ribeiro e o ministro Silvio Almeida, ambos envolvidos em debates sobre racismo estrutural e direitos civis.
Em suas declarações, Sonza explicou que levou tempo para compreender o significado do que ocorreu, não apenas por ser uma pessoa branca e “não viver isso na pele”, mas também porque a compreensão das dinâmicas sociais do racismo estrutural exige estudo e reflexão. Essa postura indica uma tentativa de transcender a simples defesa pessoal e se envolver com uma compreensão mais profunda das críticas que recebeu.
A cantora também afirmou que sua intenção nunca foi a de ofender ou menosprezar a advogada na ocasião, mas que reconhecia que a forma como se dirigiu àquela pessoa refletia uma dinâmica social mais ampla que merece atenção e mudança de condutas individuais.
Repercussão Contínua nas Redes e Desdobramentos Recentes
Mesmo após o acordo judicial e a retratação pública, episódios relacionados ao legado dessa acusação tendem a voltar à tona em discussões nas redes sociais e na imprensa. Em 2024, por exemplo, Sonza enfrentou críticas por sua nomeação como madrinha do Instituto Negras Plurais, uma organização voltada para combater desigualdades raciais; algumas vozes nas redes sociais questionaram se sua participação seria apropriada dado o histórico da acusação e pediram reflexão sobre representatividade e papéis em iniciativas desse tipo.
Esse tipo de repercussão revela que a memória pública de casos como o que envolve Luíza Sonza não se limita apenas ao processo judicial original, mas continua a influenciar a percepção do público sobre sua atuação como artista e figura pública, especialmente em contextos em que questões de raça e representatividade estão no centro do debate social.
Uma Polêmica que Marcou uma Carreira — e a Discussão Social
O caso que ficou conhecido como a acusação de racismo contra Luíza Sonza não foi apenas mais uma controvérsia entre as muitas que artistas de grande visibilidade enfrentam na era digital. Ele marcou um momento em que a música pop, a vida pessoal de uma cantora e as discussões coletivas sobre racismo seriam colocadas em confronto direto, exigindo posicionamentos públicos, reflexões profundas e, em última instância, a construção de um caminho para aprender com o passado.
A forma como Sonza lidou com o processo — da negação inicial à retratação pública, da perda de contratos à procura de entendimento mais profundo sobre racismo estrutural — reflete não apenas um caso individual, mas também um espelho de como a sociedade brasileira enfrenta essas questões complexas no século XXI.
O impacto sobre sua imagem e carreira mostra que, quando uma polêmica toca em temas sensíveis como racismo, as repercussões vão muito além dos tribunais e se estendem ao tecido da cultura, da mídia e das expectativas de um público cada vez mais atento às nuances das relações sociais.
